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Limpe a bunda depois de cagar.

Titulo feio e sujo, vamos La.

Aqui na zona sul da cidade temos o maior índice de violência, trafico e prostituição. A cidade inteira está poluída, mas os telejornais locais insistem em focar nessa região. Outro dia mesmo presenciei na esquina da padaria do seu Zé uns pirralhos, entre nove e doze anos, roubando alguns turistas que marcavam bobeira enquanto falavam no celular. Como bom cidadão Brasileiro sabe o que eu fiz? Nada.



Ponto final na linha de cima porque não se tem o que comentar. Não fiz nada e ponto final.

Mudando o assunto, existem algumas putas (prostitutas) que vivem na esquina com a XV de novembro que me fazem refletir muito. Já idealizei alguns encontros particulares com algumas delas, porque meu amigo não é fácil. Algumas são tão lindas que fica parecendo pecado não desejá-las, mas quando eu faço isso, me sinto pecaminoso também. E agora? Desejo ou não?
A questão aqui é, todo homem que passa por ali e cobiça uma hora com alguma das moças pensa, ou irracionalmente entende que ali estão alguns objetos que eles podem consumir.
Eu como homem tento muitas vezes não parecer igual aos mesmos, não duvidando da minha seria masculinidade, claro.
Porra! São pessoas ali. Pessoas que por algum motivo desconhecido estão na esquina vendendo suas dignidades a um preço muito em conta. – Segue comentário em anexo: `R$150 a hora é complicado, puta que a pariu. ` Rá!

O que me levou a ter esse diálogo com vocês foi a nota que o prefeito soltou na mídia essa semana:


Ampliaremos o sistema carcerário dessa cidade. Vamos criar mais creches para que
os pais possam ir trabalhar tendo um lugar seguro e confortável para seus entes
queridos. Investiremos uma boa parte do nosso orçamento treinando mais policiais
e equipando as delegacias para uma melhor segurança social. Criaremos planos de
incentivo como a ampliação das bolsas escolares.


Enfim, ele disse mais algumas baboseiras que eu não anotei.
Agora segue a tradução de tudo o que o prefeito quis dizer: Vão assistir ao jogo de futebol, dançar no carnaval e encher a cara nos finais de semana seus idiotas. Eu não sei, mas foi isso que escutei.
Porra, limpar o cu depois que se caga é o mínimo que podemos fazer, certo? O que adianta criar mais prisões? Depois que neguinho já está roubando, enganando e matando, diz pra mim, qual a função de uma prisão? A finalidade de uma multa causada por alguma infração?


Tenho uma pergunta que venho tentando responder a muito tempo.

“Quem foi o culpado pelo seqüestro do ônibus 174? `, O garoto cheirador de coca que portava um revolver enferrujado? Os pais? A ex-namoradinha que vendia o corpo pro seu melhor amigo? Deus? A igreja? O governo? A policia? A fome? A falta de oportunidade? Eu mesmo?”

Salve as putas, as drogas, a corrupção, a má Fé, o descaso, a violência, a preguiça, a fome, a desigualdade.
Salve os índios e mendigos queimados vivos, as mães que passam fome, os filhos que cheiram cola.
Salve a merda que despejamos nos rios. A água que pertence ao mundo e que cobramos.



Salve e apóie a cegueira social.

Hey, aleijado... aleijado.

Hey! Olha se não é o aleijado chegando.

Com passos de quem nunca chega, se aproximou, cuspiu um bom dia vazio entre as pessoas que sentavam tomando café. Tomou nas mãos o seu maior companheiro, um pano de prato sujo e rasgado, pois se a enxugar a louça da pia. Olhava pela fresta entre a cozinha e o salão. Pessoas quietas, pessoas falantes, pessoas de expressão alegre, pessoas de expressão tristes.
A cura para uma nova rejeição, a de um aleijado, seria lavar os pratos imundos de quem não tem defeitos.
Com sorriso estampado na cara se aproximava, eis aqui mais uma obra de arte, entregava o prato do dia, hambúrguer de boi com batata frita - ‘Saia daqui seu imprestável’ – contentava-se com um agradecimento esnobe.

Hey! Olha se não é o aleijado fugindo.

Passava despercebido pela porta – ‘se alguma alma ousasse me esperar por estas paredes. ’ – Deitava quieto, silencioso, no sofá fedido do único cômodo que chamava de casa. La se foi mais um dia, entupido de cachaça! Pobre moribundo. Acende o teu cigarro e antes de morrer vá deitar.

Hey! Olha se não é o aleijado. Qual aleijado?

Quanta desgraça. Quando foi que foi feliz?
Jura que tem alguma recordação alegre, do tempo em que pensava: ‘Se eu morrer hoje morrerei em paz, já fiz muita coisa. ’ – Infelizmente o maldito aleijado demorou uma eternidade para morrer.
As lembranças já não cabiam na cabeça fraca, os pés não acompanhavam a falta de vontade, o cheiro era de pele velha. As roupas rasgadas e as rugas de quem já morreram contornavam um semblante depressivo.
Não faltou vontade, se enforcou o velho no meio do cômodo úmido, ficou por dias estendido aos ratos e baratas que lhe serviam de companhia.

E qual a moral da historia?

...

Peripécia de um compulsivo!

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" Pierrot apaixonado " . Sou amigo do amigo, irmão do irmão... O que diz e fala. Esboço forte da vida sonolenta. Artista e pintor... Andarilho e amante. ... Talvez, cruzamos os olhares nas mesmas estrelas.