Dedico, à Mayara Morelli. Pessoa amada, amiga e doce.
Dedico pelas incontáveis horas de conversa.
Dedico, ao amor, à grande amizade e dedicação.
Dedico a você, isso que vem do fundo do meu coração.
Somos frágeis porque temos medo.
Medo de fracassarmos, medo do amor, medo de que o sol não volte nunca mais.
Escolhemos viver com medo porque se não arriscarmos nunca saberemos o quão maravilhoso é amar, o quão é, deliciosamente agradável a companhia de outra pessoa.
Escolhemos chorar para aliviar e expressar o ultimo dia de sol do mês, a ultima visita de uma pessoa importante, o adeus de um longo ou breve romance de verão...
O céu, o sol...
Tinha ali, bem ali, debaixo do pé de jabuticaba, um garoto sentado desenhando formas na terra umedecida pela chuva da noite anterior. Mas naquela manhã, não como a madrugada, o céu se abriu. Abriu-se esplêndido aos pássaros, e ao sol e as arvores festejavam dançantes com o vento.
O menino se banhava naquela linda manhã com os raios que batiam entre as polpas das arvores, hora deixando feixos de luz passar, hora fazendo aquela maravilhosa sombra fresca.
Deliciava-se com o sabor das frutas maduras... Parecia conversar com os animais a sua volta.
- Bom dia passarinhos, como estão os senhores?
Era um bom dia para brincar.
O céu, a chuva...Agora, no dia seguinte, o tempo não estava para brincadeira. O tempo fechado, o sol nem sequer ameaçou aparecer, e a chuva? Parecia desabar cada vez mais forte. Da janela o garotinho de olhar triste observava a poça de água se formar cada vez mais funda.
‘
Deus deve estar me castigando, o céu deve estar me castigando ‘ – repetia triste.
O céu, a chuva e o vento.Seguiu assim por longos três (3) dias. O vento parecia derrubar a pequena casa de madeira construída pelos braços do próprio pai. O solo era agora lama, e com todo aquele barro o menino imaginava que nunca mais poderia sair para brincar. Tentava lembrar-se das cores que se formavam quando a luz do sol refletia nas folhas, não conseguia vê-las, era só uma vaga lembrança perdida em sua memória.
Mas foi acidentalmente acostumando com o tempo sempre nublado, chuvoso e com todo aquele vento. Passou então a brincar em seu quarto, com os seus inúmeros brinquedos esquecidos no armário. Chegou até a encontrar um boneco que há muito tempo não via, e que fora companheiro de aventuras quando o garoto era mais novo. Seguiu assim, pelo resto da semana.
O céu, o sol e o vento.Certa manhã o garotinho levantou e quando olhou pela janela teve uma incrível surpresa.
Abriu a boca e regalou os olhos. Esfregou as mãos novamente no rosto para ter certeza de que estava realmente acordado.
Podia ver, ali da janela, o pé de jabuticaba coberto pela luz do sol, acompanhado do canto dos pássaros. Correu até a porta e seguiu o gramado de frente com a arvore regada de frutos.
Como era linda a vista dali... Mal podia se mover, paralisado com tanta beleza e alegria. Novamente poderia brincar La fora, coberto pelo céu, pelo sol e pelo vento.
Sentou-se em seguida de baixo da imensa sombra da jabuticabeira e logo começou a desenhar na terra outra vez umedecida pela chuva do dia passado.